Retratos das três protagonistas do filme Hidden Figures

Aprendizagens da vida real! Histórias que emocionam!

Fátima Ribeiro,
Coach Executiva

Ver o filme Hidden Figures, num final de tarde chuvoso com o meu filho de 8 anos, foi uma bela experiência. O filme é uma lição de vida, perseverança, coragem, resiliência e liderança!

É um filme baseado numa história real:
As protagonistas são a matemática Katherine Johnson, que trabalha como “computadora”, a aspirante a engenheira Mary Jackson e a sua supervisora não oficial Dorothy Vaughan. Na década de 1960, trabalham no Langley Research Center, antigo centro da NASA, num edifício segregado destinado a pessoas negras.

A pressão para enviar astronautas norte-americanos para o espaço aumenta após um lançamento bem-sucedido de satélites soviéticos. A supervisora branca Vivian Mitchell coloca Katherine no Grupo de Trabalho Espacial de Al Harrison, devido às suas competências em geometria analítica. Katherine é a primeira mulher afro-americana na equipa e no edifício, que apenas tem casas de banho para pessoas brancas.

Os novos colegas de Katherine têm inicialmente uma atitude discriminatória, sobretudo o responsável de engenharia Paul Stafford. Entretanto, o pedido de Dorothy para ser oficialmente promovida a supervisora é rejeitado por Vivian Mitchell. Mary identifica uma falha nos escudos térmicos da cápsula espacial experimental e um colega incentiva-a a seguir uma carreira de engenharia.
É um dos filmes mais inspiradores dos últimos meses e uma reflexão sobre as diferentes formas de discriminação… sobre como, por vezes, observamos e temos consciência da sua existência, mas não somos agentes de mudança.

Estas são algumas reflexões que o filme me suscitou e alguns valores que procurei partilhar, de forma simples, com o meu filho:

Ambiente positivo – o filme realça a importância da família, dos amigos e da comunidade. São quem incentiva, apoia e compreende e, mesmo quando não compreende de imediato, se esforça por olhar para além das circunstâncias e dos preconceitos e apoiar os sonhos dos seus membros.

Dinâmica das amizades – nem todos avançamos ao mesmo ritmo. As três protagonistas sentem-no, mas têm um núcleo sólido de amizade, em que se apoiam, pedem feedback e se inspiram mutuamente para progredir.

– Crenças potenciadoras — as protagonistas acreditam que podem alcançar os seus objetivos independentemente das circunstâncias e que trabalhar para ser a primeira é uma responsabilidade de cada uma. As suas crenças potenciadoras dão-lhes força e autonomia.

Inteligência emocional — estar disponível para dar e receber, agir em vez de se queixar, retirar aprendizagens das diferentes situações e aplicá-las para progredir. Estar preparada e ter consciência do seu valor. As protagonistas demonstram a sua inteligência emocional nas diferentes situações que vivem.

Marca pessoal – reconhecer as nossas qualidades e talentos e trabalhar para os desenvolver. Demonstrar curiosidade, perguntar e procurar os dados necessários para fazer bem o trabalho. Cada protagonista reflete e trabalha para mostrar o que a distingue.

Resiliência – persistir em situações adversas, mantendo o foco no objetivo de se destacar no trabalho. Katherine Johnson exemplifica-o ao percorrer, várias vezes por dia, 800 metros entre dois edifícios para poder utilizar a casa de banho reservada a pessoas negras. Quando tem oportunidade, explica a sua situação ao chefe, Al Harrison, que põe fim a esta prática discriminatória de forma exemplar.

Coragem – enfrentar as diferentes situações com coragem. Katherine Johnson demonstra-a em vários momentos: pede ao chefe, Al Harrison, para participar nas reuniões e, na primeira, ele desafia-a a apresentar uma solução. Katherine consegue criar uma equação para guiar a cápsula espacial num regresso seguro. Tem consciência do seu valor e insiste em incluir o seu nome nos relatórios ao lado do de Paul Stafford, mesmo sabendo que é sistematicamente eliminado.

Visão — reconhecer que é necessário desaprender e aprender, desenvolver capacidades e competências diferentes das atuais para ser competitivo no futuro. Dorothy Vaughan percebe que os computadores serão o futuro e que a sua função de “computadoras humanas” está em risco. Começa, por isso, a formar-se e a formar a sua equipa em informática.

Integridade – manter os nossos valores mesmo em situações difíceis. Dorothy Vaughan vê o seu trabalho de supervisora ser repetidamente ignorado em termos oficiais, mas continua a defender os seus valores e aquilo que considera ser o seu dever para com o trabalho e a equipa.

Espírito de equipa – Dorothy Vaughan demonstra um grande espírito de equipa e liderança quando recusa ser transferida para a área dos computadores sem as restantes mulheres da sua equipa.

Liderança – Al Harrison adota diferentes estilos de liderança: é um líder coach quando desafia Katherine a ir mais além, a ver para lá da matemática; é autoritário quando destrói os símbolos que segregam as casas de banho e define o rumo; é visionário quando lembra a Paul que “a sua função é encontrar os génios entre os génios” e que “se não chegarem juntos ao topo, não chegarão”.

Humildade — a capacidade de reconhecer os nossos preconceitos e erros. A supervisora Vivian Mitchell diz a Dorothy Vaughan que não tem preconceitos contra ela, e Dorothy reconhece que sabe que Vivian pensa assim… Numa cena posterior, Vivian reconhece que todos temos preconceitos, muitas vezes inconscientes, e muda a forma como trata Dorothy, passando a chamar-lhe Sra. Vaughan, demonstrando aceitação, reconhecimento e respeito.

Legado pessoal — como queremos ser recordados. Mary Jackson vai a tribunal convencer o juiz a autorizá-la a frequentar aulas noturnas numa escola exclusiva para pessoas brancas, para obter o diploma de engenharia. Prepara-se e, na conversa, cria empatia ao recordar que o juiz também foi o primeiro da sua família a servir nas forças armadas e a frequentar a universidade, e que foi nomeado três vezes juiz estadual por três governadores. Manifesta o seu desejo de ser a primeira mulher negra engenheira. Termina por lhe perguntar como quer ser recordado e que legado quer deixar.

Termino com o legado pessoal, convidando à reflexão… Qual queremos que seja o nosso legado?

 

 

No âmbito das comemorações do Mês da Etnia Negra, a Fundação Ciudad del Saber e a Embaixada dos Estados Unidos no Panamá organizaram a projeção do filme Hidden Figures (Elementos Secretos), na quarta-feira, 23 de maio de 2018, no Ateneo de Ciudad del Saber. As minhas reflexões foram publicadas na página da Ciudad del Saber. Consulta aqui.