Este artigo foi publicado originalmente no jornal La Estrella e integra uma coluna quinzenal da ICF Capítulo Panamá para divulgar o Coaching profissional. Procura informar, criar consciência e distinguir o coaching profissional, em que o coach se rege por princípios éticos e melhora continuamente as suas competências.
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O mundo atual é cada vez mais incerto, complexo e hiperligado. Os estímulos que recebemos diariamente também crescem em volume e complexidade.
O nosso dia a dia está cheio de estímulos: das pessoas com quem nos relacionamos presencial ou virtualmente, dos acontecimentos à nossa volta que atraem ou exigem atenção, da quantidade e diversidade de informação e das distrações nas redes sociais, na televisão e na internet.
Os impulsos recebidos geram comportamentos que nem sempre nos favorecem, pois não servem os resultados que procuramos nem o nosso bem-estar.
O que são, então, os gatilhos?
Os gatilhos são quaisquer estímulos que possam afetar o nosso comportamento, independentemente da sua origem ou forma.
Podem ser diretos ou indiretos, externos ou internos, conscientes ou inconscientes, previstos ou inesperados, encorajadores ou desmotivadores, produtivos ou contraproducentes.
Entre o impulso e o comportamento, procuramos desenvolver a consciência de como esses estímulos nos afetam, para escolher comportamentos mais alinhados com os nossos objetivos e bem-estar.
Como nos diz Viktor E. Frankl, “quando já não conseguimos mudar uma situação, somos desafiados a mudar-nos a nós próprios”.
Num processo de coaching executivo, profissional ou pessoal, o coach que utiliza estas ferramentas pode apoiar o cliente ou coachee a identificar explicitamente os seus principais gatilhos e a forma como afetam os seus comportamentos.
Nas suas investigações, Tasha Eurich refere que 95% das pessoas se consideram autoconscientes, mas que a proporção real é de 12% a 15%.
O coach ajuda a despertar a consciência, facilitando a compreensão e a aprendizagem do cliente através de diferentes metodologias.
Marshall Goldsmith é um dos autores que trabalha o tema dos gatilhos na sua metodologia de mudança dos comportamentos dos líderes e de mudança das perceções dos stakeholders sobre esses comportamentos. Da sua metodologia, destaco a classificação dos gatilhos em quatro quadrantes, cujos eixos são: “quero e não quero” e “preciso e não preciso”. Os gatilhos que quero e de que preciso potenciam-me; os que quero e de que não preciso distraem-me; os que não quero, mas de que preciso, devo procurá-los; e os que não quero nem preciso devo isolá-los.
Conhecer ou ter consciência dos nossos gatilhos não basta para deixar de lhes responder. Precisamos de apoio para mudar comportamentos, mesmo quando pensamos que só nos afetam a nós. A maioria de nós precisa de estrutura, regras e rotinas, num processo contínuo de mudança e adaptação dos comportamentos que melhor nos servem. Por exemplo, para melhorar a condição física, não basta conhecer os estímulos que nos desviam e saber que precisamos de exercício. É necessário desenvolver estratégias para criar uma rotina, associá-la a outra atividade, reservar tempo na agenda, prever recompensas e pedir apoio a um amigo ou treinador.
A humildade e a coragem apoiam a autoconsciência e o compromisso; a disciplina ajuda a implementar ações e a alcançar mudanças mais consistentes nos nossos comportamentos
No seu processo, o coach incentiva o cliente a implementar ações, a avaliar os resultados dessas ações e a definir e implementar estratégias de sucesso, acompanhando-o no seu progresso em direção aos seus objetivos e ao seu bem-estar. O coaching é, assim, um processo de aprendizagem e crescimento que facilita a autoconsciência e o desenvolvimento do cliente enquanto transforma o conhecimento e as aprendizagens em ações, promovendo a autonomia do coachee ao longo do processo.
Fátima Ribeiro
A autora é ACC (ICF Associate Certified Coach), coach em processos de desenvolvimento profissional, liderança e equipas, e membro da direção da ICF Panamá. O artigo foi publicado originalmente na coluna da ICF Capítulo Panamá no jornal La Estrella.