Este artigo foi publicado originalmente no jornal La Estrella e integra uma coluna quinzenal da ICF Capítulo Panamá para divulgar o Coaching profissional. Procura informar, criar consciência e distinguir o coaching profissional, em que o coach se rege por princípios éticos e melhora continuamente as suas competências.
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Como observamos e compreendemos o mundo à nossa volta?
Tudo o que percecionamos passa pelo nosso mindset, ou mentalidade: uma combinação de atitudes, crenças e valores que influencia os comportamentos, as ações diárias e a forma de aprender. Segundo o estudo de Ashley Buchanan e Margaret L. Kern, a mentalidade afeta subconscientemente a forma de pensar, agir e até de percecionar as possibilidades do futuro. Contudo, em contextos adequados, é possível mudá-la conscientemente e melhorar o bem-estar individual e coletivo.
A psicóloga Carol Dweck descreve, no livro “Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso”, dois tipos de mentalidade. Na mentalidade fixa, as pessoas acreditam que as capacidades são inatas e não podem mudar ou melhorar. Por isso, receiam desafios, desistem perante obstáculos e encaram o sucesso dos outros como uma ameaça. Na mentalidade de crescimento, acreditam que podem desenvolver capacidades através da prática e do esforço, apreciam desafios, veem obstáculos e fracassos como oportunidades de aprendizagem e pessoas bem-sucedidas como fontes de inspiração.
Dweck encontrou organizações e gestores com mentalidade de crescimento em que os colaboradores se sentem mais capacitados e comprometidos e consideram que a empresa valoriza a criatividade, a inovação e o trabalho em equipa. Nas organizações de mentalidade fixa também se fala de criatividade e inovação, mas, quando algo falha, alguém tem de pagar o preço.
Existem frameworks ou referenciais que integram princípios e práticas ágeis, permitindo às empresas aumentar a criatividade e a inovação e adaptar-se rápida e eficazmente a um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo.
A implementação bem-sucedida destes referenciais Lean-Ágeis exige líderes com mentalidade de crescimento, também chamada mentalidade Lean-Ágil. Esta permite impulsionar a transformação da organização, melhorando a cultura e a agilidade empresarial.
O coaching pode acompanhar os líderes na passagem de uma mentalidade fixa para uma mentalidade de crescimento, com grande potencial para gerar mudanças individuais que afetam todo o sistema.
O coaching executivo pode apoiar líderes orientados para princípios e práticas ágeis, explorando valores e crenças (SER), modelos mentais e estruturas cognitivas (PENSAR) e práticas, comportamentos e perceções visíveis (FAZER).
O trabalho pode fazer-se de fora para dentro, partindo dos comportamentos e das perceções para alcançar resultados sustentáveis, ou de dentro para fora, partindo dos valores e das estruturas de pensamento, sempre de acordo com o contrato de coaching estabelecido.
A metodologia escolhida deve ser aquela em que o líder e a organização reconhecem maior valor. Importa ajudar o líder a envolver colaboradores e outras partes interessadas, a escutá-los e valorizar todas as opiniões, num processo de aprendizagem individual e coletiva e de criação de uma cultura ágil, centrada no cliente.
O coaching pode tornar-se uma peça-chave na evolução das organizações ágeis, acompanhando os líderes no desenvolvimento das suas equipas e promovendo a mentalidade de crescimento em toda a organização.
Através do coaching sistémico, as equipas ágeis podem desenvolver-se como equipas autogeridas, clarificando o propósito, a criação de valor, os resultados sustentáveis, a tomada de decisão, a organização do trabalho e as relações entre os seus membros e com outras equipas. O coaching contribui, assim, para reforçar e consolidar a mudança cultural necessária.
Autoras:
Romina Leveau e Fátima Ribeiro