Segurança psicológica e aprendizagem com os erros
Este artigo foi publicado originalmente no jornal La Estrella e integra uma coluna quinzenal da ICF Capítulo Panamá para divulgar o Coaching profissional. Procura informar, criar consciência e distinguir o coaching profissional, em que o coach se rege por princípios éticos e melhora continuamente as suas competências.
Lê o artigo original nesta ligação.
O conceito de Segurança Psicológica, popularizado por Amy C. Edmondson, professora da Universidade de Harvard, no livro Teaming, refere-se à crença partilhada pelos membros de uma equipa de que existe um ambiente seguro para assumir riscos e admitir erros. Isto não significa ausência de consequências, mas que os erros podem ser reconhecidos num ambiente seguro, mantendo os padrões e os controlos da organização. Assim podemos aprender verdadeiramente com os erros, encontrar as causas e procurar soluções criativas.
A responsabilidade de criar esse sentimento de segurança psicológica nas equipas recai sobretudo sobre os líderes das organizações.
No coaching de equipas, podemos trabalhar com líderes e equipas para tomar consciência do nível de segurança existente e agir para o desenvolver. Podemos facilitar espaços de diálogo e feedback e desenvolver confiança através de observação e intervenção que promovam a autoconsciência, a libertação de tensões, a autoavaliação crítica do desempenho e o reconhecimento do valor de cada um.
Podemos também apoiar os líderes a desenvolver competências de líderes coaches, através da escuta ativa, da comunicação direta, da exploração criativa de opções, do desenvolvimento de soluções e da integração de aprendizagens.
No artigo de 2011, Estratégias para Aprender com o Fracasso, a Dra. Edmondson aborda a criação de uma cultura organizacional que vê os erros como fonte de aprendizagem, incentivando as equipas a detetar, analisar e até experimentar para aprender. Um líder de uma empresa tecnológica dizia: “Estamos no negócio da descoberta e, quanto mais depressa falharmos, mais depressa teremos sucesso.”
O artigo apresenta o “Espetro de Razões para o Fracasso”:
Razões com maior responsabilidade individual:
- Desvio: uma pessoa ESCOLHE violar um processo ou procedimento definido.
- Desatenção: uma pessoa desvia-se INADVERTIDAMENTE das especificações existentes.
Razões com alguma responsabilidade individual:
- Falta de competência: uma pessoa NÃO TEM as competências, condições ou formação para executar uma tarefa.
- Processo inadequado: uma pessoa competente segue um processo definido que é INADEQUADO.
- Tarefa desafiante: uma pessoa enfrenta uma tarefa DEMASIADO DIFÍCIL para ser executada de forma fiável em todas as ocasiões.
Razões com pouca ou nenhuma responsabilidade individual:
- Complexidade do processo: um processo com muitos elementos sofre RUTURAS ao encontrar novas interações com outros elementos.
- Incerteza: a falta de clareza sobre acontecimentos futuros leva a ações APARENTEMENTE RAZOÁVEIS que produzem resultados indesejados.
- Teste de hipóteses: uma experiência para verificar o sucesso de uma ideia ou projeto falha.
- Testes exploratórios: uma experiência para ampliar o conhecimento e investigar uma possibilidade conduz a um resultado indesejado.
Importa sublinhar que se trata de um espetro, sem fronteiras claras entre estas razões. A ideia não é procurar culpados, mas explorar as razões da falha. Conhecer este espetro ajuda a investigar as causas de forma mais consciente, encontrar soluções adequadas e implementá-las num processo de desenvolvimento organizacional.
O líder pode aplicar competências de coaching numa conversa de exploração e reflexão criativa com o colaborador, utilizando perguntas abertas sobre as causas pessoais ou sistémicas da falha. Num ambiente de segurança psicológica, o foco está em integrar aprendizagens, desenvolver pessoas e processos e encontrar soluções que criem valor e resultados sustentáveis para todos os stakeholders. O coaching de equipas pode apoiar a criação de uma cultura de aprendizagem e responsabilidade.
Autores:
Alberto Navarro, Coach Executivo e de Equipas, credenciado como Professional Certified Coach (PCC) pela ICF. Vice-presidente da direção da ICF Capítulo Panamá.
Fátima Ribeiro, Coach em processos de desenvolvimento profissional, liderança e equipas, credenciada como Associate Certified Coach (ACC) pela ICF. Membro da direção da ICF Capítulo Panamá.

