A revolução da liderança
Este artigo foi publicado originalmente no jornal La Estrella e integra uma coluna quinzenal da ICF Capítulo Panamá para divulgar o Coaching profissional. Procura informar, criar consciência e distinguir o coaching profissional, em que o coach se rege por princípios éticos e melhora continuamente as suas competências.
Lê o artigo original nesta ligação.
A forma como pensamos a liderança precisa de mudar. Falamos numa “crise de liderança”, mas, na realidade, não sabemos como deverá ser a liderança do futuro. O estudo global “A Liderança de Amanhã e a Revolução Necessária no Desenvolvimento da Liderança de Hoje” procurou explorar esta questão. Partilho algumas conclusões.
Publicado pela Henley Business School, no Reino Unido, e liderado pelo Professor Peter Hawkins, investigador, autor e criador de uma metodologia de coaching sistémico de equipas, o estudo reflete sobre quatro perguntas-chave:
- Em que será diferente a liderança necessária nas organizações de amanhã face à de hoje?
- O que é necessário desenvolver para a liderança de amanhã?
- Até que ponto as melhores práticas atuais são adequadas para desenvolver a liderança de amanhã?
- O que mais é necessário fazer?
Alguns dos principais desafios que os líderes consideram que os afetarão nos próximos 20 anos são:
- Transformação incessante e acelerada das organizações
- Evolução tecnológica e digital
- Mudança dos modelos de negócio, desintermediação e «uberização»
- Menos colaboradores nas organizações e complexidade crescente das partes interessadas
- Globalização
- Alterações climáticas e
- Necessidade de aprender e de se adaptar mais depressa.
Estes desafios estão interligados, impulsionando-se mutuamente.
Num contexto de transformação incessante, a mudança deixa de ser um acontecimento pontual para ser uma constante global, afetando indivíduos e organizações a um ritmo acelerado. As tendências identificadas incluem mudanças demográficas, na força de trabalho e nas formas de trabalhar, instabilidade política, imprevisibilidade económica, volatilidade dos mercados, globalização, alterações climáticas e migração.
A digitalização, a robótica e a externalização contribuem para “esvaziar” as organizações. Os líderes de amanhã terão menos pessoas para gerir e um número crescente, diverso e complexo de grupos e organizações com quem precisarão de estabelecer parcerias. A liderança passa de vertical a horizontal: além de liderar a organização, é necessário criar parcerias e sinergias com diferentes grupos de interesse para ter sucesso. Desenvolver parcerias e trabalhar em rede é uma competência indispensável.
Pensar globalmente, estar atento às tendências mundiais e adaptar-se com agilidade ao inesperado é outra competência de liderança. A aprendizagem de líderes e organizações deve acompanhar a velocidade de mudança do ambiente para evitar a extinção.
O estudo identifica as seguintes mudanças necessárias:
- De “liderar as minhas pessoas” para “orquestrar ecossistemas empresariais”
- De “líderes individuais heroicos” para “liderança coletiva e colaborativa”
- Liderança orientada pelo propósito e pela criação de valor para todos os grupos de interesse.
- Da inovação sequencial e fragmentada para o trabalho simultâneo em três horizontes temporais: hoje, amanhã e futuro.
- Acolher a diversidade individual nas suas várias dimensões e também a diversidade sistémica
- O líder deve desenvolver os outros.
- A liderança deve manter uma motivação elevada em diferentes gerações de colaboradores.
- A maturidade ética necessária para viver num mundo transparente.
- A importância de criar parcerias e redes bem-sucedidas
O estudo realça a necessidade de maior maturidade de liderança e ética, a criação de valor para todos os grupos de interesse, uma maior consciência da diversidade organizacional e a importância da liderança coletiva e colaborativa.
O coaching sistémico pode facilitar esta mudança ao trazer para as equipas as perspetivas dos vários grupos de interesse, apoiando o trabalho ligado a um propósito e a uma visão de sucesso. Promove a confiança para melhorar o compromisso, o desenvolvimento de relações, parcerias e ligações, e a cocriação de soluções que favoreçam a aprendizagem organizacional.
Fátima Ribeiro
A autora é ACC (ICF Associate Certified Coach), coach em processos de desenvolvimento profissional, liderança e equipas, e membro da direção da ICF Panamá.


