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Membros de uma equipa juntam as mãos em sinal de colaboração

O coaching como ferramenta de desenvolvimento social

Segundo o ICF Global Coaching Study 2016, realizado pela ICF (International Coaching Federation) em colaboração com a PwC em 137 países, os dados recolhidos indicam que o coaching influencia a mudança social.

A nível mundial, 51% dos coaches profissionais inquiridos e 49% dos gestores e dirigentes com competências de coaching consideram que este pode influenciar fortemente a mudança social. Já 33% dos coaches profissionais e 27% dos gestores e dirigentes com estas competências consideram que a influência pode ser moderada.

A perceção dos coaches profissionais sobre a capacidade do coaching para influenciar a mudança social varia consideravelmente entre regiões.

Na América Latina e nas Caraíbas, dois em cada três coaches inquiridos (68%) consideram que o coaching pode influenciar fortemente a mudança social.

Segundo o ICF Global Consumer Awareness Study 2017, realizado pela ICF e pela PwC em 30 países, os dois principais benefícios reconhecidos nos estudos de satisfação da ICF são a melhoria das competências de comunicação (42%) e o aumento da autoestima e da autoconfiança (40%).

Estas competências criam pontes nas famílias, organizações e comunidades, apoiam uma integração social e profissional mais equilibrada e contribuem para um desenvolvimento social e económico sustentável.

O Coaching como ferramenta de desenvolvimento pode aplicar-se a diferentes etapas da vida.
Nos jovens, nos adultos em atividade profissional e nas pessoas mais velhas, contribui para uma maior consciência do valor próprio, para alargar perspetivas de desenvolvimento pessoal e profissional, dar um propósito à vida e construir um legado.

É uma ferramenta que ajuda a enfrentar os desafios de cada etapa e a encontrar oportunidades num mundo cada vez mais volátil, incerto, complexo, ambíguo e hiperligado (VUCAH, na sigla inglesa).
A melhoria da comunicação, da autoestima e da autoconfiança ajuda a reduzir o isolamento nas sociedades atuais e contribui para uma maior integração social.

Nas organizações, utilizar o coaching como ferramenta de desenvolvimento também traz contributos positivos, nomeadamente para a igualdade de género, a diversidade e a inclusão.
No ICF Global Consumer Awareness Study 2017, a razão mais citada para procurar coaching foi otimizar o desempenho profissional individual e em equipa (43%), sendo o terceiro benefício mais referido o aumento da produtividade (39%).

O coaching como ferramenta de desenvolvimento social é, assim, transversal à sociedade: aplica-se a indivíduos, comunidades e organizações com ou sem fins lucrativos, contribuindo para a responsabilidade social empresarial e para os objetivos de desenvolvimento sustentável.

Fátima Ribeiro

Equipa reunida à volta de uma mesa para partilhar ideias

A liderança do futuro

Assistir recentemente a um webinar do Dr. Marshall Goldsmith sobre “liderança ontem, hoje e amanhã” e conversar sobre liderança em contextos educativos motivou-me a dedicar este artigo à liderança e ao seu papel na sociedade atual.
Os desafios de um mundo global, complexo, em mudança e diverso exigem uma liderança diferente.

O líder deixa de ser entendido como um ser superior, centrado na tarefa, que fornece estrutura e direção, para ser um facilitador envolvido no diálogo e na participação de todos.

“O líder do passado sabia dizer; o líder do futuro saberá perguntar”, afirma Peter Drucker. Para Paul Hersey, “liderar é trabalhar com e através dos outros para alcançar os objetivos”.

Peter Hawkins diz-nos que o próprio conceito de inteligência está a evoluir. Passou do quociente intelectual, IQ, para o quociente emocional, EQ, e hoje avançamos para o WeQ, ou seja, para a inteligência colaborativa.

O líder do futuro demonstra um elevado interesse tanto pelas tarefas e objetivos como pelas pessoas, adaptando o seu comportamento às exigências da situação.

É recomendável analisar a preparação das equipas, a autonomia na decisão e o nível de poder antes de escolher o estilo de liderança ou de tomada de decisão.

Peter Hawkins considera que as pessoas com maior sucesso no futuro serão aquelas com maior capacidade para estabelecer ligações.

Isto recorda-me uma frase de Jared Weiner na Conferência Anual de Executivos CADE 2017 da APEDE: “as competências interpessoais, como a construção de relações, a colaboração, a empatia e a sensibilidade cultural, tornar-se-ão a moeda de maior valor. As pessoas com competências híbridas — elevada capacidade tecnológica e profunda sensibilidade social — vencerão no futuro”.

O pensamento global, a diversidade cultural e intercultural, a construção de parcerias, o conhecimento tecnológico inteligente e a liderança partilhada, com o líder como facilitador, são dimensões emergentes do líder global do futuro no modelo de avaliação de liderança global da MGSCC — Marshall Goldsmith Stakeholder Centered Coaching.

Este modelo é uma avaliação interessante para servir de base a um processo de coaching para o desenvolvimento da liderança: estruturado, mensurável e inclusivo dos stakeholders ou partes interessadas em redor do líder, pois a liderança só existe verdadeiramente quando é reconhecida. O modelo fornece estrutura e direção e o coach facilita as aprendizagens.

Fátima Ribeiro