Artigos

Convite da ICF Panamá para a apresentação de investigação global sobre coaching de equipas e stakeholders

Navegar a Complexidade: Como o Coaching de Equipas Transforma Organizações

Evento realizado no sábado, 30 de agosto, na Cidade do Panamá,

As organizações enfrentam um contexto empresarial cada vez mais complexo e interligado, que exige novas estratégias de estruturação e liderança de equipas. Para prosperar, as equipas precisam de ser mais do que a soma das partes. Colaborar com rapidez e agilidade com todas as partes interessadas pode ser um fator decisivo de diferenciação.

Neste evento, explorámos os desafios dos líderes e das equipas no presente e no futuro. Analisámos a importância crescente do trabalho em equipa, as dinâmicas internas e como líderes e equipas podem ser mais eficazes, flexíveis e preparados para os desafios futuros.

Abordámos a importância de uma perspetiva sistémica para navegar a complexidade, ultrapassar silos e promover colaboração dinâmica entre funções. Explorámos conclusões do Team of Teams Research Report e apresentámos o Systemic Team of Teams Coaching (STOTC), referencial desenvolvido pelo Professor Peter Hawkins e pela Dra. Catherine Carr.

Grupo da ICF Panamá reunido num encontro sobre coaching de equipas e stakeholders

Colegas celebram um resultado com um gesto de mãos no alto

Coaching de equipas: uma perspetiva sistémica

Este artigo foi publicado originalmente no jornal La Estrella e integra uma coluna quinzenal da ICF Capítulo Panamá para divulgar o coaching profissional. Procura informar, gerar maior consciência e distinguir o coaching profissional, em que o coach se rege por princípios éticos e melhora continuamente as suas competências.

Lê o artigo original nesta Ligação.

Desde o meu percurso como líder em contextos organizacionais, o desenvolvimento de equipas ocupa um lugar importante no meu trabalho docente, no coaching executivo e no coaching sistémico de equipas.

Enquanto coaches de equipas, entendemos que a equipa como um todo é o nosso cliente. Trabalhamos considerando o seu sistema e contexto, para que “a equipa seja mais do que a soma das partes”, cada membro ganhe autonomia, se comprometa e colabore, com um propósito único e uma visão de futuro.

A equipa existe para cumprir um propósito, “que precede a equipa e é a razão pela qual foi criada” (Hawkins, 2017). Descobrir o propósito implica, assim, que a equipa compreenda quem serve e o valor que cria para os seus diferentes grupos de interesse ou stakeholders. Deve considerar tanto os stakeholders internos, incluindo a organização como um todo, como os diversos stakeholders externos, tais como clientes, fornecedores, parceiros estratégicos e a comunidade.

Este exercício aparentemente simples envolve uma abordagem “de fora para dentro”, princípio-chave da metodologia do Professor Peter Hawkins. Realizá-lo em profundidade, para que todos o compreendam e interiorizem, potencia o alinhamento da equipa.

Com um propósito definido, a equipa desenvolve mais eficazmente o seu mapa: acordos de trabalho, o que é ou não admissível, como se quer relacionar, visão de futuro, objetivos, indicadores, papéis e responsabilidades. Este trabalho traz clareza e transparência e potencia o desempenho.

Na minha experiência, embora muitos líderes acreditem que existe alinhamento, verificamos que, na maioria das equipas, o propósito, a visão ou os objetivos coletivos, distintos dos individuais, carecem de clareza ou de entendimento partilhado. Isto dificulta a comunicação e a colaboração internas e com os principais grupos de interesse.

O contexto complexo e em mudança exige um acordo e reajuste constantes de expectativas. O mapa da equipa, com regras e acordos, é dinâmico e deve ser revisto nas reuniões, para confirmar o entendimento ou introduzir mudanças que assegurem alinhamento. Estes momentos favorecem relações, ligações e processos mais eficientes.

Executivos e equipas sentem que precisam de fazer mais com menos e que não têm tempo para parar. Mas é precisamente essa pausa consciente que permite ganhar perspetiva, clarificar expectativas, redefinir acordos e agir com maior agilidade.

Recordo sempre a história de “Alice no País das Maravilhas”, quando Alice pergunta o caminho ao Gato e ele responde que “há de chegar a algum lado”. O importante é definir e ter clareza sobre onde se quer chegar.

Trabalhar as dinâmicas pessoais da equipa, a confiança, a segurança psicológica e as interdependências entre áreas tem também grande impacto no desempenho e no bem-estar.

No recente livro “Team of Teams Coaching”, o Professor Peter Hawkins e a Dra. Catherine Carr exploram uma abordagem que integra o coaching sistémico de equipas com a transformação organizacional. Esta abordagem pode ser implementada por duas vias. Uma delas é o percurso incremental, que começa com o Coaching de Equipas da Equipa de Liderança ou Equipa de Direção e se expande a várias equipas da organização. A outra via é uma transformação organizacional planeada, que envolve uma abordagem de “big bang” e uma mudança de cultura, integrando a abordagem sistémica do coaching de equipas em todo o sistema da organização.

O Coaching de Equipas exige experimentação e desenvolvimento de modelos mentais. Aprendemos com as equipas o que funciona e o que não é adequado, desafiando-nos no percurso de crescimento. Juntos, criamos e implementamos mudanças para responder ao que emerge. É assim que boas equipas se tornam excelentes e equipas excelentes conseguem desafiar as probabilidades.

Autora: Fátima Ribeiro

A autora é PCC (ICF Professional Certified Coach), Coach Executiva e Coach Sistémica de Equipas, e membro da ICF Panamá.

Fontes:

  • Hawkins, P. (2017). Leadership team coaching: Developing collective transformational leadership. Kogan Page Publishers.
  • Hawkins, P., & Carr, C. (2025). Team of Teams Coaching: Using a Teaming Approach to Increase Business Impact. Kogan Page Publishers.

Fátima Ribeiro e Susana Azevedo, coautoras de artigos sobre liderança e coaching de equipas

Construindo pontes: uma cultura organizacional para o sucesso

Este artigo foi publicado originalmente em português na Líder Magazine, edição de Primavera de 2025.

Posteriormente, foi publicada a versão online na página da revista. O artigo original pode ser visto neste Ligação.

Um propósito comum, uma visão e sonhos partilhados, são fatores que permitem navegar a mudança de forma mais ágil e efetiva, e transformar líderes, equipas e organizações. Criam uma conexão de mentes e corações, potenciando a comunicação, a colaboração, o compromisso e o trabalho em equipa.

A identidade organizacional provê um sentido de partilha e inclusão e reforça um conjunto de normas e valores que criam pontes, contribuindo para um sentimento de pertença.

Numa das organizações com que trabalhamos, valores como a transparência, a autonomia e a confiança, definidos como críticos pelo líder, foram incluídos nas suas práticas e comportamentos de liderança, transformando a cultura e tornando a organização mais eficiente e preparada para o futuro.

A transparência foi incorporada para uma comunicação mais clara e uma adequada gestão de expectativas. A estruturação de processos e a delegação de tarefas, reforçou o valor da autonomia. A confiança, como forma de olhar o outro, foi ampliada e incluida nas práticas de liderança para criar segurança psicológica e desenvolver as relações e a colaboração.

Autores como Amy Edmondson, Timothy Clark, e estudos em empresas como a Google (projeto Aristóteles), revelam-nos que a base das equipas mais eficazes é a segurança psicológica. É a partir de uma perceção de inclusão e segurança que se aumenta o compromisso das equipas, os colaboradores desenvolvem a curiosidade e potenciam a inovação, e a produtividade e a performance tornam-se sustentáveis.

Amy Edmondson diz-nos que a segurança psicológica ajuda as pessoas a assumir os riscos interpessoais necessários para alcançar a excelência num mundo interdependente e em rápida mudança.

No livro The 4 Stages of Psychological Safety, Timothy Clark identifica as seguintes dimensões da segurança psicológica: segurança de sentir-se incluído, segurança para aprender, segurança para contribuir, e segurança para desafiar.

Os líderes, utilizando ferramentas de inteligência emocional, conversacional e colaborativa, são os orquestradores de ambientes de trabalho diversos e inclusivos, potenciando as relações, a aprendizagem contínua, e contribuindo para que o todo seja mais que a soma das partes.

As relações são o contexto para navegar com êxito a mudança, e a partilha contribui ao seu fortalecimento. Como refere Richard Boyatzis, no livro The Science of Change, com uma visão partilhada impulsionamos a esperança, na compaixão partilhada experimentamos a solidariedade, e através da energia partilhada vibramos na mesma frequência que os outros.

Por meio do coaching sistémico de equipas trabalhamos relações e conexões entre as pessoas, as equipas e os stakeholders externos, construindo pontes para uma cultura organizacional de sucesso em contextos de incerteza e complexidade.

Autoras: fátima Ribeiro e Susana Azevedo

Fátima Ribeiro e Susana Azevedo, coautoras de artigos sobre liderança e coaching de equipas

Liderança em Tempos de Desafios: Navegando entre Incertezas e Inspiração

Este artigo foi publicado originalmente em português na Líder Magazine, edição de Outono de 2024.

Posteriormente foi publicado a versão online na página web da revista. O artigo original pode ser visto neste Ligação.

No nosso trabalho como coaches executivos, de equipas, e formadoras em liderança, reconhecemos a dificuldade dos líderes em fazer mais com menos e manter as equipas motivadas, num contexto de mudanças contínuas, em que os níveis de engagement baixam e os índices de burnout sobem. 

Os líderes sofrem tensões de vários níveis, de stakeholders internos e externos, e sentem-se pressionados a reagir e a centrar-se nos resultados de curto prazo e na menos má das opções, mais do que a agir de forma proactiva e trabalhar para a visão de futuro desejado, para desenvolver organizações mais enfocadas na sustentabilidade humana e do ecossistema.  

Escutamos o sentimento de desconexão com as lideranças atuais, pela perceção de desconexão entre os valores comunicados e os valores imbuídos nas ações e práticas diárias da organização. 

Como, navegar pela ambiguidade, tal qual as nossas caravelas navegaram por oceanos nunca antes navegados, e construir equipas e organizações capazes de lidar com os desafios?

A partir do Coaching trabalhamos com líderes e equipas para identificar o que necessitam mudar neles mesmos, para promover a transformação nas suas equipas e organizações. 

Para que identifiquem os recursos internos e externos que já têm, e os que necessitam desenvolver, para aumentar a sua capacidade de influenciar e ser proactivos na criação da visão de futuro. 

Trabalhamos crenças, emoções, mentalidades e relações, considerando um propósito que crie valor não só para o negócio, mas também para todas as partes interessadas.

Geramos espaços intencionais de aprendizagem e de celebração ao longo da jornada de desenvolvimento, para avaliar o progresso e recarregar a energia que alavanca a mudança.

Abordamos o desenvolvimento horizontal (conhecimentos e competências), mas também o desenvolvimento vertical (o ser e os modelos mentais) considerando a evolução:

  • do “Eu” para o “Nós”, 
  • da criação de valor oportunista para a criação de valor com e para uma base alargada de stakeholders, 
  • do tempo como um recurso “escasso” para o tempo como uma “oportunidade” de fazer melhor cada dia, 
  • do pensamento da performance atual para o pensamento estratégico em três horizontes (o hoje, o futuro, e o que podemos começar desde já a fazer amanhã).

Neste percurso de desenvolvimento que inclui o fazer, mas também o pensar e o ser, trabalhamos habilidades como a comunicação, com foco na escuta ativa, que potencia o compromisso e o impacto de líderes e equipas.

Fomentamos a segurança psicológica, a confiança, e a construção de equipas inclusivas, nas quais se promove a criatividade e a implementação de processos e estruturas mais ágeis, e o todo é mais que a soma das partes.

Existe esperança e cada um de nós pode fazer a diferença na construção de um futuro risonho para nós e para as futuras gerações! 

Autoras: Fátima Ribeiro e Susana Azevedo

Fátima Ribeiro e Susana Azevedo, coautoras de artigos sobre liderança e coaching de equipas

Equipas de liderança “future fit”

Este artigo foi publicado originalmente em português na Líder Magazine, edição de Primavera de 2024.

Posteriormente foi publicado a versão online na página web da revista. O artigo original pode ser visto neste Ligação.

De acordo com Michael Porter a estratégia é o que fará diferente uma organização, brindando uma vantagem competitiva, criando um valor distinto para o consumidor, e permitindo à empresa prosperar e atingir uma rentabilidade superior.

No contexto atual, a estratégia é cada vez mais um processo dinâmico, que envolve uma interação permanente com um contexto complexo e ambíguo, na avaliação de ameaças, tendências e na prospeção de oportunidades. Para conduzir este processo, a organização necessita de equipas com competências de previsão do futuro e de liderança da mudança.

A eficácia das equipas como um todo é, mais do que nunca, fundamental para o êxito e sustentabilidade das organizações. Estas não podem depender apenas do brilhantismo de um líder, que tem todas as soluções e controla para que outros executem o que é por ele definido. É necessário investir em equipas de liderança partilhada, pelo seu potencial de assegurar níveis de performance superiores, em comparação com equipas de liderança vertical.

O desenvolvimento de equipas com habilidades de liderança coletiva é crítico nas organizações, para alcançar de forma consistente e duradoura um alto nível de rendimento e inovação. Estas habilidades promovem que o todo crie maior valor que a soma das partes, que cada membro assuma a responsabilidade pela sua contribuição (liderança individual), assim como pelo funcionamento de toda a equipa (liderança coletiva).

Uma equipa eficaz necessita de ter clareza e alinhamento sobre o seu propósito e sobre a sua visão de futuro. A partir desta claridade, a equipa trabalha em conjunto para definir quais os eixos estratégicos que lhe vão permitir atingir os resultados, e reflete sobre a cultura, governação, processos e liderança necessários para dar suporte à execução da estratégia. A equipa revê quais as melhores formas de trabalho, competências técnicas e comportamentais e dinâmicas internas necessárias para cumprir com o propósito.

Equipas preparadas para o futuro: propósito, visão, liderança partilhada, aprendizagem e estratégia sustentável

O ambiente interno da equipa, incluiu: a) um propósito partilhado, b) apoio entre os membros e c) voz (segurança psicológica e disposição para falar), elementos que são antecedentes da liderança partilhada. A confiança é outro elemento vital, constrói-se a partir da integridade e da credibilidade, e desenvolve-se com a comunicação direta, clarificação de expectativas, prática do compromisso e um ambiente de aprendizagem contínua. O suporte de Coaching é especialmente importante quando o ambiente interno da equipa é menos favorável.

Trabalhamos em aliança com as equipas de liderança, num processo provocador de reflexão e criatividade, com uma perspetiva sistémica, que apoia a clarificar o propósito, a visão, a estratégia, e a liderar a mudança para uma transformação sustentável das organizações, criando valor para todos os stakeholders.

Autoras: Fátima Ribeiro e Susana Azevedo

Ilustração de uma pessoa a desenhar uma lâmpada para representar novas ideias

Desenvolver equipas e organizações para responder à mudança

Este artigo foi publicado originalmente no jornal La Estrella e integra uma coluna quinzenal da ICF Capítulo Panamá para divulgar o coaching profissional. Procura informar, criar consciência e distinguir o coaching profissional, em que o coach se rege por princípios éticos e melhora continuamente as suas competências.

Lê o artigo original nesta Ligação.

Um dos desafios para transformar as organizações com sucesso e potenciar o seu desenvolvimento e sustentabilidade é ter líderes e equipas preparados para responder à mudança.

Bushe & Lewis (2023) identificaram, num artigo publicado no Leadership & Organization Development Journal, três estratégias de mudança para o desenvolvimento organizacional. São elas: (1) uma estratégia baseada em dados (data-based), (2) uma estratégia de elevado envolvimento (high engagement) e (3) uma estratégia generativa (generative).   

A cada estratégia corresponde uma visão da organização e do seu sistema, processos, estruturas e relações.

Os autores consideram que a escolha depende dos desafios enfrentados pela organização e do envolvimento necessário das diferentes partes interessadas ou stakeholders.

  1. Uma estratégia baseada em dados é adequada quando falta compreender o problema ou desafio e a recolha e a análise prévia de dados são importantes para o clarificar e para convencer equipas e stakeholders da necessidade de mudança. Também é adequada quando os desafios, embora complicados, são mais lineares e a análise permite estabelecer relações de causalidade ou de função.
  2. Uma estratégia de elevado envolvimento é adequada quando os líderes têm uma visão clara do futuro desejado, mas o compromisso dos colaboradores e/ou de outros stakeholders é essencial para o sucesso. A coordenação central na escolha das estratégias é importante, por exemplo devido a necessidades de capital, mas os participantes podem influenciar a estruturação da mudança ou a sua implementação.
  3. Uma estratégia generativa é adequada quando a mudança é um desafio complexo e adaptativo, exigindo maior interação e comunicação, e quando existe a possibilidade de experimentar diferentes abordagens simultâneas para alcançar os objetivos. Nesta estratégia, o conceito de propósito — definido como aquilo que a organização procura alcançar todos os dias e distinto da visão, entendida como o futuro desejado ou a solução para um problema — é partilhado por todos os envolvidos no processo de mudança, unindo-os em torno desse propósito. Esta estratégia é adequada quando o processo de mudança exige uma transformação dos comportamentos e das crenças das pessoas e, por esse motivo, requer também o seu envolvimento ativo na promoção da mudança. Ao implicar um maior compromisso de todos os colaboradores e das outras partes interessadas, esta estratégia é adequada quando a equipa de liderança precisa de transformações mais rápidas do que as proporcionadas por processos de mudança concebidos e implementados de cima para baixo.

O papel das equipas de liderança varia entre estratégias: de mais diretivo a facilitador e promotor da aprendizagem por tentativa e erro.

Na estratégia generativa, o líder facilita recursos, relações, conversas e aprendizagem. Para ser eficaz, é importante cultivar segurança psicológica, confiança e autonomia nas equipas.

Um processo de coaching de equipas, com um coach experiente e conhecedor das dinâmicas organizacionais, pode ajudar as equipas de liderança a descobrir um propósito inspirador, envolver outras pessoas na mudança e criar valor para as partes interessadas. Apoia a clarificação de processos, a construção de relações e parcerias e uma cultura de aprendizagem. Os coaches externos podem influenciar positivamente o desempenho das equipas e contribuir para a transformação organizacional.

Autora: Fátima Ribeiro

A autora possui a credencial PCC (ICF Professional Certified Coach), é coach em processos de desenvolvimento profissional, liderança e equipas, e membro da direção da ICF Panamá.

Fátima Ribeiro e Susana Azevedo, coautoras de artigos sobre liderança e coaching de equipas

Competências essenciais para organizações prósperas

Este artigo foi publicado originalmente em português na Líder Magazine, edição de Outono de 2023.

Posteriormente foi publicado a versão online na página web da revista. O artigo original pode ser visto neste Ligação.

Sabia que as empresas que fizeram a transição de um olhar meramente individual do “Eu” para um olhar coletivo o “Nós”, mostram ROI’s superiores à média das empresas que fazem parte do S&P 500?

Vários autores, como Jim Collins e Richard Barrett, identificam que a performance sustentável de uma organização só é possível quando os líderes colocam os interesses da sua organização como um todo, em frente do seu próprio interesse e ego. Esta abordagem permite construir um futuro sustentável para todos, e é também a melhor estratégia de negócios para o sucesso da organização.

Neste artigo abordamos competências cruciais para as organizações, e como estas podem ser desenvolvidas através do Coaching, o qual contribui para o aumento da consciência, a evolução dos modelos mentais, potencia o desenvolvimento da liderança, a transformação das organizações e a criação de um futuro melhor.

Barrett aponta a necessidade de um propósito organizacional e de uma visão de negócio sistémica, que inclua os diferentes stakeholders da empresa, e que alinhe os interesses da organização com os interesses de longo prazo da sociedade. Organizações mais resilientes têm um forte alinhamento de valores, um elevado compromisso partilhado sobre a visão e a missão da organização, e um alto sentido de responsabilidade pessoal, o que potencia níveis acrescidos de colaboração, compromisso e performance.

O trabalho que desenvolvemos com líderes e equipas convida-os a ter clareza sobre a sua realidade atual, a descobrir o seu propósito e a sua visão, bem como o valor que agregam com e para todos os stakeholders. Através do Coaching potenciamos a evolução para novos níveis de consciência, base da transformação de líderes, equipas e organizações.

Barrett identifica 5 características essenciais, que foram responsáveis pela evolução do ser humano desde a sua génese, e que continuam a ser fundamentais no atual contexto VUCA. São elas a adaptabilidade, a aprendizagem contínua, a habilidade de conectar, a habilidade de cooperar e a habilidade de lidar com a complexidade.

Cinco competências essenciais: adaptabilidade, aprendizagem contínua, conexão, cooperação e gestão da complexidade

Com os nossos clientes trabalhamos estas competências com o propósito de desenvolver líderes e organizações mais adaptáveis, com capacidade de gerir a complexidade e a incerteza, e desenvolver alianças internas e externas, potenciando organizações sustentáveis a longo prazo, com impactos positivos para a sociedade e para o mundo.

O nosso processo de Coaching, intrinsecamente provocador de reflexão e criativo, e de natureza sistémica, desbloqueia fontes de imaginação, produtividade e liderança, até então inexploradas, num exercício simultaneamente de clarificação e de motivação para a transformação sustentável e integrada de líderes com as suas equipas e organizações.

Convidamo-vos a explorar e integrar o Coaching nas vossas organizações.

Autoras: Fátima Ribeiro e Susana Azevedo

Grupo de profissionais participa numa sessão de formação com um facilitador

Como se desenvolvem os coaches profissionais?

Este artigo foi publicado originalmente no jornal La Estrella e integra uma coluna quinzenal da ICF Capítulo Panamá para divulgar o Coaching profissional. Procura informar, criar consciência e distinguir o coaching profissional, em que o coach se rege por princípios éticos e melhora continuamente as suas competências.

Lê o artigo original nesta Ligação.

Para proteger os clientes que procuram coaching, mentoria e supervisão e ajudá-los a escolher profissionais qualificados, a União Europeia aceitou a “Carta Profissional para Coaching, Mentoria e Supervisão de Coaches, Mentores e Supervisores”, elaborada por associações profissionais. O documento integra as bases de dados de corregulação e autorregulação da UE.

Esta carta resulta da colaboração da ICF — International Coaching Federation com outras associações, como a EMCC — European Mentoring and Coaching Council. Embora não tenha força de lei, reflete um entendimento comum e um esforço concertado das principais associações para autorregular a profissão.

Segundo a publicação no site da UE, o objetivo é “garantir elevados padrões nos serviços oferecidos, nomeadamente nos resultados dos processos de coaching, mentoria e supervisão, na prática e no espírito dos coaches, mentores e supervisores que:

  1. possuem a formação e as competências necessárias;
  2. participam em desenvolvimento profissional contínuo;
  3. estão, sempre que possível, acreditados ou certificados por associações profissionais de coaching, mentoria e supervisão.”
A mentoria e a supervisão são importantes no desenvolvimento do coach, ajudando-o a tomar consciência das suas competências, pontos cegos e oportunidades de melhoria. O coach trabalha simultaneamente o seu “eu” enquanto pessoa e profissional, criando mais valor com e para os clientes.

Na mentoria, o mentor e o coach trabalham sobretudo o desenvolvimento das capacidades do coach no âmbito das competências definidas pela ICF.

Na supervisão, o coach partilha experiências de trabalho para receber apoio e estabelecer um diálogo reflexivo e uma aprendizagem colaborativa que criem valor para si, para o cliente, para os stakeholders e/ou para a organização do cliente.

Como afirma Damian Goldvarg no livro Supervisión de Coaches, “a supervisão tem um objetivo específico: refletir sobre o trabalho do coach e aumentar a sua eficácia, explorando não apenas o que fez e fará em futuras sessões, mas também quem é, as suas emoções, crenças, bloqueios e pontos cegos”.

A mentoria e a supervisão podem ser individuais ou em grupo. Ambas contribuem para desenvolver o coach e acrescentam valor.

Existem vários modelos de supervisão. Um dos mais conhecidos é o do Professor Peter Hawkins, de base sistémica, aplicável a coaches que trabalham com indivíduos, equipas ou organizações.

Conhecido como “modelo dos sete olhos” e desenvolvido em livros como Leadership Team Coaching, considera os seguintes modos ou áreas de atenção:

  1. a situação do cliente;
  2. as intervenções do coach;
  3. a relação de coaching;
  4. o coach;
  5. a relação de supervisão e os processos paralelos;
  6. o supervisor;
  7. e o contexto mais alargado.

O modelo considera o sistema de coaching e o sistema de supervisão.

Aplicado ao coaching de equipas, o modelo evoluiu para integrar mais três “olhos”, ou modos, relativos ao ecossistema da equipa:

  1. os stakeholders da equipa;
  2. as intervenções e os processos de interação que a equipa utiliza com os seus stakeholders;
  3. a dinâmica relacional entre a equipa e os seus múltiplos stakeholders, perfazendo “dez olhos” de supervisão.

Enquanto coaches profissionais, procuramos desenvolver-nos pessoal e profissionalmente e cocriar mais valor em parceria com os clientes.

Alguns de nós evoluem também para mentores de coaches ou supervisores, contribuindo para o desenvolvimento da profissão.

Um coach profissional tem à sua disposição formação contínua, mentoria e supervisão. A importância da supervisão aumenta à medida que a atividade de coaching se expande.

Autora: Fátima Ribeiro

A autora é ACC (ICF Associate Certified Coach), coach em processos de desenvolvimento profissional, liderança e equipas, e membro da direção da ICF Panamá.

Convite da ICF Panamá para a conversa Porquê o Coaching de Equipas?

Porquê o Coaching de Equipas?

Em 18 de maio, num evento da ICF Capítulo Panamá integrado na Semana Internacional do Coaching, partilhámos com coaches e executivos da América Latina o tema do Coaching Sistémico de Equipas.

Aprofunda o conhecimento sobre o coaching de equipas, a sua importância atual e as diferenças face a outras intervenções. Descobre o que esperar do processo e os seus benefícios através de um exemplo real.

 

Profissional recebe o reconhecimento da equipa durante uma apresentação

Presença executiva: como influenciar e ter impacto

Este artigo foi publicado originalmente no jornal La Estrella e integra uma coluna quinzenal da ICF Capítulo Panamá para divulgar o Coaching profissional. Procura informar, criar consciência e distinguir o coaching profissional, em que o coach se rege por princípios éticos e melhora continuamente as suas competências.

Lê o artigo original nesta Ligação.

 

Desenvolver presença executiva é um dos objetivos mais procurados por profissionais e executivos no coaching, pois ajuda a ter maior impacto e influência.

Num mundo cada vez mais complexo, interligado e em rápida evolução, com mais interações virtuais, colaboradores em estruturas matriciais e várias equipas, e mudanças nas estruturas de poder, é cada vez mais relevante desenvolver uma mentalidade sistémica, compreender as ligações, ler o contexto e construir relações.

Algumas estratégias para navegar com sucesso as ondas da mudança são:

  • praticar a escuta ativa e estar presente em cada interação;
  • criar mais valor com e para as partes interessadas;
  • ter maior impacto nas comunicações e intervenções;
  • desenvolver uma estratégia de crescimento com propósito claro;
  • gerir simultaneamente trabalho, carreira e vida pessoal e familiar;
  • estruturar uma rede ativa de aliados, mentores e sponsors.

No coaching, importa clarificar o que significa, para o cliente, desenvolver presença executiva, apoiando-o a analisar e hierarquizar objetivos, definir medidas de sucesso e centrar o plano de ação nos 20% que permitem alcançar 80% dos resultados.

No autoconhecimento e na autogestão, é essencial clarificar o propósito e a orientação do cliente e a sua disponibilidade para mudar, deixando o que já não o serve, numa relação entre benefícios e custos. Muitas vezes, o custo é abandonar:

  • o apego a comportamentos e fatores de sucesso do passado;
  • a ideia de controlo;
  • as desculpas e o papel de vítima das circunstâncias;
  • a necessidade excessiva de ser “Eu”;
  • pensamentos e emoções do passado, abrindo espaço a uma versão do “Eu” com maior agilidade emocional.

É abrir-se à incerteza, ao não saber, ao desenvolvimento de novos recursos e soluções e à procura da oportunidade e do presente de cada situação imprevista.

No autoconhecimento, o coach apoia o cliente a:

  • reconhecer o seu poder pessoal, autenticidade, competências, experiências e conhecimentos — o que traz para a relação;
  • avaliar como se apresenta em diferentes situações, cria empatia, rapport e confiança, responde aos outros e às crises, e quais os gatilhos a que deve estar atento;
  • identificar o valor e o impacto que quer criar e as novas perspetivas ou mudanças emocionais que pode trazer para potenciar soluções em situações críticas.

Alcançar resultados com bem-estar também exige feedback contínuo dos stakeholders. Importa identificar as partes interessadas internas e externas essenciais, ampliar a esfera de influência e impacto, compreender as estruturas de poder formais e informais e definir o valor a criar com e para cada uma.

O feedback contínuo e o alinhamento de expectativas permitem conhecer melhor a evolução das perceções das partes interessadas, preparando o cliente para agir estrategicamente com maior rapidez perante mudanças organizacionais ou no negócio.

O coach profissional apoia o desenvolvimento do cliente, estimulando a reflexão e a criatividade: “e se…?”, “o que aconteceria se…?”, “o que mais…?”. Funciona como um espelho: “isto é o que estou a ouvir”, “isto é o que estou a observar”. Incentiva novas linhas de ação: “o que ainda não experimentaste?”, “como o dirias?”, “como o farias?”. Pode também usar técnicas de experimentação ou simulação para explorar perspetivas e ações num ambiente seguro, num processo contínuo de reflexão, ação e aprendizagem.

Autora: Fátima Ribeiro

A autora é ACC (ICF Associate Certified Coach), coach em processos de desenvolvimento profissional, liderança e equipas, e membro da direção da ICF Panamá.