Os sabotadores e a sabedoria
Este artigo foi publicado originalmente no jornal La Estrella e integra uma coluna quinzenal da ICF Capítulo Panamá para divulgar o Coaching profissional. Procura informar, criar consciência e distinguir o coaching profissional, em que o coach se rege por princípios éticos e melhora continuamente as suas competências.
Lê o artigo original nesta Ligação.
O conceito de inteligência evoluiu ao longo do tempo. No início do século XX, o quociente intelectual era considerado o principal indicador de sucesso. Nos anos 1980, começámos a ouvir falar do quociente emocional, ligado à inteligência emocional: autoconsciência, autogestão, conhecimento dos outros e gestão das relações, como fatores diferenciadores de uma vida bem-sucedida, com um impacto próximo de 80% no sucesso.
Hoje, com a crescente complexidade e incerteza, ganham importância conceitos como a inteligência colaborativa: a capacidade de cocriar um resultado superior à soma das partes.
Falamos também de inteligência para a mudança, ligada à agilidade emocional — navegar diferentes emoções e agir com base em valores e objetivos de longo prazo —, à resiliência — enfrentar a mudança e a adversidade — e à antifragilidade, que integra a capacidade de prosperar, e não apenas resistir, em situações incertas e adversas.
O próprio conceito de trabalho evoluiu: de um trabalho essencialmente manual, associado ao início da industrialização, para um trabalho mais cognitivo, associado à aquisição de conhecimento e a estratégias ativas de aprendizagem, com a revolução da internet e da economia do conhecimento. Evolui agora para um trabalho mais emocional, ligado ao desenvolvimento da empatia e da compaixão, à ligação a um propósito e a valores, que potencie o desenvolvimento de relações, conexões e alianças a um nível mais sistémico.
No conjunto, são conceitos de inteligência ligados às competências interpessoais, ao trabalho sobre o ser e o pensar, à gestão de emoções, crenças e pensamentos e a ações com propósito e valores que desenvolvam o nosso potencial, com impacto simultâneo nos resultados e no bem-estar.
O coaching estimula o pensamento e a criatividade para desenvolver o potencial do cliente, ligando o ser, o pensar e o fazer. Os objetivos e as ações são definidos a partir do futuro desejado pelo cliente, do seu propósito e das suas visões.
Ao considerar uma perspetiva sistémica e os vários níveis de contexto, das relações interpessoais ao contexto global, estes conceitos de inteligência surgem frequentemente nos desafios do cliente e nas conversas de coaching.
Outro conceito que pode surgir é a inteligência positiva, desenvolvida por Shirzad Chamine, autor e docente na Escola de Negócios da Universidade de Stanford. Define-a como uma medida de agilidade mental: a rapidez com que passamos de respostas “negativas” para “positivas” perante diferentes desafios.
No seu trabalho, Chamine identifica os principais sabotadores que influenciam os nossos pensamentos e o nosso “juiz interno”, através da forma como reagimos aos desafios.
Através da autoconsciência, da autocompaixão e de exercícios de reflexão ligados aos diversos sentidos, que nos ajudem a reconhecer as emoções presentes e a navegar para um espaço mental de curiosidade e criatividade, podemos desenvolver a agilidade mental que nos permita identificar a dádiva e a oportunidade de cada situação, incluindo aquelas que se apresentam como dolorosas e/ou desafiantes.
Fátima Ribeiro
A autora é coach em processos de desenvolvimento profissional, liderança e equipas, ACC (ICF Associate Certified Coach), e membro da direção da ICF Panamá.

